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Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza, árbitro da final do Campeonato Paulista, admite que houve “erro de procedimento” entre a marcação e a anulação do pênalti para o Palmeiras. Mas ele nega que tenha havido interferência externa e garante que se baseou única e exclusivamente na opinião de seu quarto árbitro, Adriano de Assis Miranda.
Em entrevista à ESPN Brasil na manhã desta segunda-feira, Marcelo concordou que não foi adequado dirigir-se até o meio de campo instantes depois da marcação do pênalti, mas justificou que tinha ouvido alguém falar “canto” (tiro de canto) no sistema de comunicação e queria saber quem era.
– O procedimento realmente não foi o ideal. Você me pergunta por que fui no meio de campo. Fui para chamar todos da minha equipe para que eu pudesse ouvir. E mesmo indo ao meio de campo, distante dos jogadores, eles não conseguiram me ouvir. Ninguém foi até mim como eu gostaria – explicou.
Imagens de TV mostram que o quarto árbitro, Adriano de Assis Miranda, só vai até o árbitro principal após ser abordado pelo quinto árbitro,Alberto Poletta Masseira.
– A interferência do quinto árbitro é porque ele consegue ouvir que quero falar com o Adriano. Aí ele vai lá e fala: “Adriano, ele quer falar com você”. A situação ali é de todo mundo falando comigo, com o assistente, com o quarto árbitro… O quinto árbitro é quem me ouve e fala: “Adriano, vai lá e fala com o Marcelo”. O quinto árbitro é o que menos estava sofrendo pressão dos jogadores, por isso ele conseguiu ouvir – explicou Marcelo.
– Eu marquei o pênalti, já estava sacramentado, quando falam “canto” no rádio. Aí eu busco quem estava falando. O quarto árbitro começa a dar explicações para os jogadores do Corinthians e eu não consigo mais ouvir. É muita gente falando ao mesmo tempo. Imagine você na linha telefônica com mais cinco pessoas falando? Você não consegue entender ninguém.O quarto árbitro me passou a informação via rádio. Na cabeça dele, eu tinha ouvido. O quinto árbitro se dirige até ele e fala para ele ir até mim – acrescentou.
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Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza diz que não deu entrevistas no domingo por orientação da Federação Paulista. Ele se manifestou por meio da súmula, em que já havia registrado a mudança de opinião após uma conversa com o quarto árbitro, mas sem mencionar a participação do quinto árbitro na decisão. Pela regra, a única função do quinto árbitro é substituir um membro da equipe de arbitragem se houver necessidade.
Embora admita o erro no procedimento, Marcelo se diz tranquilo por não ter marcado o pênalti de Ralf em Dudu.
– Eu não estaria tranquilo se tivesse decidido o campeonato com um erro de arbitragem. Cometi um equívoco (ao assinalar o pênalti). Esse equívoco e o procedimento acabaram causando tudo isso. Fui a pessoa que se equivocou e o procedimento não foi o correto, então estou tentando esclarecer. A orientação era para que não falasse, mas achei importante colocar o que aconteceu.
– Eu tomei a decisão do ângulo que eu tinha. Para mim, tinha sido pênalti. Mas o quarto árbitro tem uma visão lateral e me informa que o toque foi na bola. A visão dele é melhor do que a minha. O importante é acertar a decisão, e nós acertamos – finalizou.